Filosofia da ExistênciaExistem alguns aspectos da realidade que podem nos fazer crer que o sentido da vida, mesmo que inconscientemente seja a busca pelo conhecimento. De todos os aspectos que materialmente mais evoluímos ao longo de toda a história, nenhum se compara com a comunicação e a capacidade de produzir e reproduzir conhecimento. Criamos sistemas bibliotecários, tradições orais, construções mitológicas que duram até os dias de hoje, culturas que propagam subliminarmente ideologias, e principalmente, evoluímos mais rápido que qualquer outra coisa os meios de propagar essas invenções abstratas, de maneira que no início do século XX, a internet é o aspecto presente dessa evolução que se materializa mais rápido que qualquer outro fator humano, e que nos próximos anos deverá se concretizar na chave da distribuição de riqueza e poder das sociedades futuras. Isto se deve a um fator principal: a evolução ocorre não só na matéria, mas também nas idéias que utilizam nossas mentes como veículos em seu trânsito pela realidade material.

Os
teóricos dos memes há algum tempo vêm colocando de forma bastante clara esse mecanismo, mas talvez ainda seja um pouco nebulosa a capacidade do
modelo dos teóricos evolucionistas de prever acontecimentos futuros com base nas suas teorias. Isso se deve à própria
característica abstrata da teoria da evolução, que como bem fora colocado por
Sartre[1], é algo que se prova na sua
própria existência, mas cujos rumos são extremamente difíceis de serem previstos. Mas à parte da disposição das
evidências históricas que Sartre dispunha em seu tempo, temos hoje algo que pode ser analisado a luz da
razão evolucionista que pode explicitar concretamente o
conceito da evolução fora da
matéria orgânica, a
evolução das idéias. Basicamente, o que podemos propor neste breve ensaio, é que o entendimento do
sentido da vida do homem na terra pode ser facilitado se o foco da análise for
as suas idéias, e a capacidade do homem de
processá-las e distribuí-las. Porém, mais complexo ainda é conceito que buscaremos transmitir ao longo deste trabalho, o de que, possivelmente, as idéias não nascem nas mentes humanas, elas apenas estão dispostas de forma a serem captadas e distribuídas, com se todos os humanos fossem parte de um
imenso processador computacional que está trabalhando em cima da gigantesca quantidade de informação disponível no planeta.
Durante toda a história muitos pensadores desenvolveram grandes e fascinantes teorias sobre o sentido da vida e da nossa evolução sobre o planeta, bem como desenvolveram a capacidade humana de abstrair sobre a realidade material de maneira a podermos passar da pedra lascada às naves espaciais. Mas durante todo esse trajeto de mais de dez mil anos, o que ficou visível, graças à um punhado de pensadores revolucionários, é que, quem estava no comando o tempo todo não era nós seres humanos, mas os genes que nos habitavam, que continham o nosso programa para buscar cada vez mais a reprodução e a acumulação de forma a gerarmos mais genes. E neste processo fomos nos superando materialmente, mas sempre com o foco sobre o sexo oposto, fato transbordado nos trabalhos de Freud e Darwin. Porém, algo de transcendental também ocorreu com a espécie humana: a especulação a respeito da sua existência, que, por si só, nos trouxe o próprio conhecimento sobre nossos genes. No entanto, nossa capacidade intelectual superou nossos impulsos instintivos que nos pressionam a todo momento, e passamos a poder tomar atitudes como o suicídio, o isolamento, a autopunição, a inconsequência autodestrutiva, etc.
Continua...
[1] Sartre – Crítica da Razão Dialética