sábado, 14 de novembro de 2009

FUTEBOL!!!

Filosofia Materialista




Futebol é uma coisa banal? Definitivamente não... Ele é sim um dos fenômenos mais complexos da sociedade contemporânea, considerá-lo como fútil ou banal é ignorar uma das mais inteligentes industrias criadas no capitalismo.





Alguns ainda dirão: "não é banal! Mas é o ópio do povo... foi feito só para entreter!" - Os que assim dizem só estão meio certos, por que o futebol é mais que uma ferramenta de controle político - ele é um grande negócio, que no mundo atual faz circular uma cifra incalculável de dinheiro, que substitui partes das guerras da antiguidade ao colocar dois países ou grupos em um confronto apaixonado mas sem sangue, e que faz com que alguns dos nossos instintos mais tolos (mas que nenhum de nós consegue evitar) sejam satisfeitos.



Sendo assim, o futebol não é só um ópio social, como quando foi utilizado pela ditadura em 1970, mas é também um grande porta de vazão de algumas de nossas mais violentas paixões. Não é só um controle de um grupo de magnatas sobre o povo iludido, mas é tambem um controle de todas as pessoas, das mais diversas classes, sobre si mesmas.


Hoje a noite vou assistir meu time - o São Paulo Futebol Clube - jogar... quero entender de futebol porque este é um grande negócio (quem disse que filósofo tem que ser pobre?), e porque assim, estarei entendo um pouco mais sobre eu mesmo...

sábado, 7 de novembro de 2009

CHE

Filosofia da Existência


Acabei de assistir o filme “Che 2”, que narra a história de Che Guevara nos seus últimos dias de guerrilha, na Bolívia. O filme é altamente recomendável, mas se for assisti-lo, faça-o com os olhos de um ser humano, independente das suas ideologias.


"Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar"

Che foi um exemplo de humanidade racional. O que eu chamo de humanidade racional é a capacidade de se afeiçoar pelos outros seres humanos sem cair nas hipocrisias religiosas. Ele era um exemplo de como podemos crer na justiça, sem que para isso ignoremos nossos instintos de sobrevivência. Che não era perfeito, mas realmente tinha uma proposta para o mundo. Che era um assassino na definição técnica da palavra, e também tinha paradoxalmente aspectos de crença cega e fanatismo por sua revolução, mas nada disso apagava a existência positiva do seu legado.

Sua proposta era utópica e continua sendo, mas como Che pensaria no mundo de hoje? As desigualdades seguiram uma tendência de diminuição ao longo dos anos, mas ainda temos muito o que andar, mas será que a pobreza e as desigualdades não se tornarão coisas banais para nós?

É importante que mitos como o de Che não morram, para que perante o mundo técnico e científico que se ergue a nossa frente, não nos esqueçamos de quem nós somos, seja se acreditarmos em Deus ou nos homens.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Entre Nietzsche e o Coringa

Para além do Bem e do Mal


Você é uma pessoa boa ou uma pessoa má? Você se considera melhor do que pessoas com Sarney e Fernandinho Beira-Mar? Bom, Nietzsche tem alguns subsídios que podem te ajudar a responder essas questões e o Coringa (aquele mesmo do Batman), pode reforçar bem alguns conceitos.


"O único jeito sensato de viver nesse mundo é não seguindo as regras..."

Basicamente, a sociedade nos ensina quando nascemos o que é bom e o que é ruim, aliado ao que é o bem e o que é o mal, e depois, nossos instintos nos reforçam essa noção. Afinal, concordamos que matar é mal basicamente por que não queremos morrer e nem que algum de nossos entes queridos morram. Mas se olharmos bem então pra essa questão, na verdade estaremos concordando com o que é bom, impulsionados por um sentimento egoísta, que, seguindo as próprias definições sociais, é ruim. Então perguntamos... somos bons, por que somos ruins?
O Coringa excepcionalmente interpretado por Heath Ledger nos coloca numa situação desconfortável enquanto assistimos "Batman - O Cavaleiro das Trevas", ao nos questionar subitamente se, quando nossas vidas são ameaçadas, se realmente mantemos nossas definições de bem e mal.
Pensando sobre isso, observo que, se tais definições forem mantidas nos momentos mais críticos, existe uma chance de que realmente elas não dependam exclusivamente da nossa vivência instintiva, ou que o ser humano traz como instinto básico a bondade, com concordariam alguns filósofos iluministas. Mas se buscarmos a definição do que seja bem e mal acabamos caindo de novo na armadilha que o próprio Coringa nos deixa ao longo do filme... se formos bons, implícitamente não podemos fazer nada CONTRA o mal...
Talvez Nietzsche estivesse certo, e talvez seja melhor realmente abandonarmos essas questões do que seja o bem ou o mal...

domingo, 11 de outubro de 2009

UMA BREVE HITÓRIA SOBRE O PODER

Filosofia da Existência





"Rei Basílio, advertido por uma profecia de que seu herdeiro, o príncipe Segismundo, seria causador de grandes males, mantém o filho confinado em uma torre. Depois de muitos anos, o pai decide submeter o jovem a uma prova. Faz com que o narcotizem e o levem secretamente para seu palácio, dando-lhe uma oportunidade de revelar seu caráter. Entretanto, o jovem príncipe se comporta de forma tão abominável que seu pai percebe a impossibilidade absoluta de algum dia confiar-lhe a coroa e o reino. Manda que o narcotizem novamente e o levem de volta à torre. Quando o príncipe acorda, fica convencido de que nunca saiu de lá e simplesmente esteve sonhando. Um motim popular o liberta mais tarde e o rapaz é coroado rei. Mas agora está tão temeroso de que essa realeza recém-adquirida acabe por se revelar apenas como um outro sonho que se conduz com discrição e clemência. Consequentemente, acaba por vencer a maldição que pesava sobre a sua cabeça."


Gassner, John - Mestres do Teatro I

sábado, 10 de outubro de 2009

O Frágil Caminho do Intelectual

Filosofia da Existência


Qual o papel do intelectual na sociedade moderna? E antes de tudo, como podemos definir alguém como um intelectual? É importante que para tal definição fujamos da resposta pronta que a sociedade moderna tende a nos oferecer. Muitas vezes o mundo nos dirá que o intelectual é aquele que simplesmente se dedica à tarefas de cunho eminentemente intelectual, ou seja, qualquer indivíduo que exerça uma pesquisa seria considerado um intelectual. Na verdade, a definição de intelectual deve ir além...




Utilizando o exemplo de Sartre, um cientista nuclear que realiza suas pesquisas é um técnico científico, mas se ele compreende que através da sua pesquisa, está facilitando a guerra nuclear e a morte em larga escala, ele pode ser considerado um intelectual, uma vez que ele compreendeu a contradição inerente à sua atuação na sua sociedade. Percebeu que sua atuação vai além do conceito de boa ou má, e logo, ele transcende a lógica mundana. Dessa forma, devemos tomar cuidado quando taxamos alguém como intelectual ou não, ao observar se esse suposto intelectual está num plano além do conhecimento humano, ou está simplesmente servindo à lógica do mundo.


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Praticamente Inofensiva

Filosofia Relativista

Olhe para a seguinte imagem:

Trata-se da projeção real da distância da Terra à Lua, se você se afastasse aproximadamente 560.000 KM do centro entre os dois astros e olhasse para trás veria essa imagem. Obra de Drew Olbrich, a imagem é algo bastante interessante para se refletir.

Além do óbvio, de que não somos proporcionalmente nada no universo, vemos o quão longe estão coisas que em nossas mentes estão tão perto, como a Lua. Refletindo sobre a angustiante imagem podemos ver o quão pequena é qualquer suposição que podemos fazer sobre qualquer coisa que seja. Tudo o que sabemos é que nada sabemos. Somos o pequeno ponto azul como Sagan colocava... e mais nada. Mas será que devemos aceitar essa suposição positivista?

Talvez não.. talvez esse seja o poder da crença... de nos libertar dessa pequenitude que nos colocamos quando olhamos para nós mesmos... essa é a parte grandiosa e pequena da Ciência, que nos engrandece e ao mesmo tempo cruelmente nos coloca de frente ao espelho da nossa própria ignorância. Mas talvez seja importante que aceitemos que a ciência não é tudo... e que há muito, mas muito mais coisa mesmo entre a Lua e a Terra, do que julga a nossa vã filosofia.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O que é o Banal?

Introdução à Filosofia

O Big Brother Brasil é um programa banal? O Funk carioca é banal? E o final da novela das oito? Facilmente essas coisas são colocadas na estante das banalidades brasileiras. Mas o que faz delas banais? Basicamente, elas assim o são, porque podem ser ignoradas, apesar de terem sua existência percebida pelas classes mais intelectualizadas do país. Mas e se elas deixassem de serem banais, o que seriam? Bem, ai seria filosofia...


Uma das melhores respostas que se pode dar quando alguém pergunta: “o que é filosofia?”, talvez seja responder: “a filosofia é a desbanalização do banal”. Explicando mais profundamente é como dizer que a filosofia é a forma de enxergar por trás das aparências que nós mesmos criamos ante nossos olhos, e enxergar aquilo que os demais ao nosso redor não enxerga. Enxergar por exemplo o mecanismo de alienação política por trás do funk carioca, que pode ir do pensamento de Freud até Nieztche, é enxergar o Big Brother Brasil como uma programa que torna a vigilância intensiva algo normal aos nosso olhos, como em 1984 (George Orwell), e que a novela das oito é um funk carioca melhorado, na medida que também serve como mecanismo de contenção política e de venda ideológica.

Mas porque essas coisas continuam sendo banais? Ora, se elas não fossem dadas como banais pelo mundo, então isto significaria que o mundo compreende o malefício por trás de cada uma dessas coisas, e logo o mundo extinguiria a existência de cada uma delas, e logo essas coisas não existiriam. Chegamos a uma conclusão interessante e atordoante. O banal existe por que é banal, e é banal por que existe, como um vírus que se auto alimenta dentro da sociedade, que nunca vai deixar de ser banal, pois se o deixar, também automaticamente deixará de existir. Confuso? Talvez... mas o primeiro passo da reconstrução de uma ordem banal é a sua confusão e desbanalização...


imagem de http://raulmarinhog.files.wordpress.com/2009/03/novela1.jpg