domingo, 20 de novembro de 2011

Chico Buarque, Semiótica e Comunismo

Ciência Política

Existem muitos mitos no Brasil e um deles é Chico Buarque de Holanda. O que me impressiona é a força que suas letras políticas (não falo das melosas) exercem sobre as pessoas sem que a maioria saiba exatamente o que se está cantando em suas músicas. Para muitos suas letras são resumidas em "combate à ditadura" e "crítica social". Na verdade, o buraco é mais em baixo... Em primeiro lugar Chico Buarque não cantava contra a ditadura, e sim a favor do comunismo o que é bem diferente, e em segundo lugar, realmente ele canta a crítica social, mas ele não canta nenhuma solução para tal dentro dos padrões vigentes de sociedade... Em outros termos, Chico Buarque é um ícone comunista do Brasil, saudado por muitas pessoas que se dizem a favor da família e/ou da propriedade privada. Eis aí nosso paradoxo.


Em o manifesto comunista Marx escreve:

"Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas."

Marx se referia à desconstrução da verdade, em tese burguesa, para a construção de uma verdade arbitrária gerada a partir de relações de trabalho igualitárias. Marx acreditava assim que a sociedade como a conhecemos, com seus valores familiares e de propriedade, deveria ser desconstruída, se necessário pela violência, para que essa utopia (no meu entender descabida) pudesse se concretizar.

Ora, basta observar alguma das músicas do aclamado compositor brasileiro para se estabelecer a relação entre as coisas, afinal, o que se pode pensar que Chico dizia em "O que Será (a flor da terra)"?

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo…
(Chico Buarque em "O que Será")



A genialidade de Chico Buarque não é discutida aqui mas sim o fato de Chico cantar à olhos vistos pela transformação social violenta, pela desconstrução de valores que a grande maioria do seus fãs defendem com veemência. Pergunto eu que futuro termos num país construído por "intelectuais" que se pautam neste tipo de princípio. As músicas de amor de Chico são belíssimas, mas a maioria dos seus fãs devoram sua obra seja em que formato vier... político, sentimental ou o que for...

Outros exemplos da sua obra que seguem essa tônica é 

1. "Meu guri"     - A beatificação do bandido da favela "vítima" da vida
2. "Construção" - A caricatura do operário como "vítima" do sistema, inspirado em "O Operário em Construção" de Vinicius de Moraes;
3. "Pedro Penseiro" - A caricatura do operário que na visão de Chico espera o trem "(...)para o bem de que tem bem"...
4. "Vai Trabalhar Vagabundo" - Onde Chico define o trabalho como:
Vai te enforcar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar
Entre tantas outras músicas.
Chico já se manifestara em vários momentos a favor do comunismo e do pensamento de esquerda. Escreveu alguns livros que beiram o desastre literário como "Fazenda Modelo", entre outros, no qual deixa clara sua posição sobre o tema.

Fica a questão então... Quem valoriza o seu trabalho pode valorizar Chico Buarque? Quem acredita na capacidade humana de se desenvolver, quem acredita na liberdade e na força de vontade para alcançar seus objetivos deve dar ouvidos ao Chico Buarque político?

E que fique claro aqui que o artista está preservado, mas que nossas consciências também o sejam...

Imagens Fonte: artnativa.com; trollada.com; cronicasderobertolima.blogspot.com

1 comentários:

Carla Lacrimae - Pensamentos Notívagos disse...

OLá, muito interessante a sua reflexão. Realmente há algo de sério a se pensar a respeito. abçs
Carla Lacrimae paz - Pensamentos Notivagos