Olhe ao seu redor. Observe as maravilhas que o acúmulo do conhecimento humano gerou para o seu bem-estar, e como fomos capazes de mudar nossas cavernas para apartamentos mobiliados conectados à mentes do outro lado do mundo. Se há algum aspecto da humanidade a se agradecer é à ciência. Mas agora eu quero falar sobre uma possível falha da ciência, apesar de todas essas visíveis virtudes... o problema é exatamente esse, as virtudes são excessivamente visíveis.
A ciência cresceu ao longo da história baseada em uma resposta que nós damos à realidade com a qual colidimos a cada momento durante nossa existência. Como uma criança que descobre que o fogo queima quando coloca ali a sua mão, o homem clássico deu origem à nossa trajetória científica quando começou a conceber números e quantificações, e quando começou a perceber fenômenos como a evaporação da água ou o movimento dos astros. No entanto, uma grande questão a se colocar é que nós começamos a explicar a realidade a partir da própria realidade, e mesmo as mais abstratas das ciências, como a matemática pura, emergiram de um conjunto de regras criadas a partir do que se observa da realidade (lógica). E a partir disso podemos então formular pelo menos duas perguntas:
1. Aquilo que concebemos como realidade, fornece o insumos para o nosso conhecimento independente de nós, ou ela depende de nós para que exista através desses mesmos insumos?
2. Independente da realidade ser dependente ou independente de nós humanos, ela é única?
Há vários caminhos que podemos tentar trilhar para responder à essas perguntas, mas até o momento tudo o que fora feito na história da humanidade para responde-las foi se criar hipóteses, desde Platão até o cinema contemporâneo de Matrix, passando pelas inúmeras religiões do mundo afora. Prepotentemente, este será o assunto do Blog nos próximos tempos, afinal, alguém tem que perguntar de vez em quando se tudo isso é real.
Podemos começar refletindo sobre a questão da geometria euclidana em confronto com as geometrias não-euclidianas.
Em matemática, uma geometria não-euclidiana é uma geometria baseada um sistema axiomático distinto da geometria euclidiana. Modificando o axioma das paralelas, que postula que por um ponto exterior a uma reta passa exatamente uma paralela à inicial, obtêm-se as geometrias elíptica e hiperbólica. Na geometria elíptica não há nenhuma reta paralela à inicial, enquanto que na geometria hiperbólica existe uma infinidade de reta paralelas à inicial que passam no mesmo ponto.
Um triângulo nas geometrias elíptica, hiperbólica e euclidiana
A questão que pode-se colocar então é: alterando as regras do jogo, no caso os axiomas matemáticos, podemos alterar o que concebemos por realidade? Eu particularmente já ouvi argumentos contra e a favor desta colocação, e foge ao escopo deste blog dizê-los aqui, mas podemos nos aproximar de uma resposta de que talvez a ciência seja algo como uma espécie de "tentativa e erro" da raça humana, na medida em que deve se adaptar à novas condições da realidade, mas sem nunca deixar de imaginar quais serão essas condições no futuro. Mas ainda assim, continuamos reféns da percepção da realidade, mesmo quando resolvemos algum paradoxo, como na matemática euclidiana.
Dizer se existe alguma realidade diferente dessa, ou se essa realidade nos pertence ou nós pertencemos a ela, ainda é difícil de ser feito. Mas continuaremos nessa trilha nos próximos posts deste filósofo que vos escreve.
Imagens fontes: http://childscapes.com/bookpages/carroll.html


0 comentários:
Postar um comentário