O conceito de felicidade é algo muito amplo, e inclusive este blog já o contestou em suas diversas formas... mas há um conceito relativamente recente que merece atenção. O conceito desenvolvido pelos teóricos da Economia da Felicidade. É um conceito bastante simples, por bastante rico também, e vamos resumi-lo nas próximas linhas...

Basicamente, tais teóricos definem a felicidade de um indíviduo como a seguinte relação:

Vamos interpretar a relação, e para tanto criemos um personagem simbólico, o “Zé”...
Se Zé for um sujeito acomodado que tem tudo o que quer, exatamente o que quer, o índice de felicidade dele será 1. Ou seja, Zé é “feliz”. Ele não é nem muito nem pouco feliz, ele só é feliz. O leitor poderá perguntar: “mas ai ele não é muito feliz?!”, a resposta é não, por que ele está estabilizado, a ponto da sua felicidade não ser excessiva a ponto de afetar suas atitudes e pensamentos (caso que ocorre no distúrbio bipolar!).
Tomemos então outro caso, digamos que Zé seja budista, especificamente um monge budista... então quanto será o consumo atual de Zé? Basicamente só o consumo necessário à sua existência, ou seja, será o número mínimo que o índice pode alcançar... e o consumo potencial? Será um número muito próximo de zero, já que essa é uma premissa Zen (não consideraremos igual a zero para não complicar a conta, mas pode sê-lo), e para quem sabe um pouco de matemática fica claro que o índice de felicidade de Zé tenderá ao infinito (Nirvana!!).
Mas tomemos o caso mais problemático e mais comum na sociedade capitalista... quando o consumo potencial é uma função do consumo atual... ou seja, quando o sujeito quer consumir cada vez mais a medida que acessa mais consumo no tempo presente (ele nunca está satisfeito). Nesse caso, o índice de felicidade tem uma tendência à zero, ou seja, ela se reduz continuamente, e em casos extremos como o das pessoas excessivamente gananciosas, a medida que o consumo atual aumenta, mais a relação entre o consumo atual e o consumo potencial se torna mais acentuada, e o consumo potencial aumenta indefinidamente... o resultado é a tristeza tão inerente às clínicas de cirurgia plástica e no mundo das celebridades. A pior notícia é que neurocientistas têm demonstrado ser esta a condição mais inerente aos seres humanos.
A lição que tiro é que talvez o ocidente precise um pouco mais de budismo...

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