Filosofia do Conhecimento
Há cerca de 2300 anos, foi construída, no antigo Egito, a biblioteca de Alexandria. Para quem não sabe, esta foi uma das maiores bibliotecas do mundo antigo, e no seu auge, chegou a congregar a maior parte do conhecimento do mundo, numa forma que seria absurdamente útil para o renascimento no século XVI, e que sem ela talvez teríamos ficado por muitos anos na escuridão e ignorância. A biblioteca ganhou sua principal forma por Alexandre, que no auge do seu império, ordenou que todos os navios que parassem nas docas do seu império fossem revistados a procura de papiros, ou qualquer outra forma de conhecimento. Observe qual era o tesouro de Alexandre: o conhecimento sobre o seu controle.

Hoje o Google leva adiante um projeto semelhante, e talvez seus objetivos sejam semelhantes aos de Alexandre - o "Imperador". Torna-se claro assim que o que chamamos hoje de era do conhecimento é um erro, pois o conhecimento sempre foi valorizado. A diferença é que sempre quem esteve no poder fez uma "forcinha" para que os demais humanos não compreendesem tal importância.
Mas o Google adota hoje uma estratégia diferente. Assim como todos aqueles que estão no poder. Ao invés de esconder a informação e negar o seu valor, anuncia-se aos quatro cantos que devemos aprender e nos inundam com muita, mas muita informação. De maneira que fica cada vez mais difícil separar a informação que presta daquela que não presta. É difícil para muitos estudantes, separar o "Orkut" da pesquisa sobre História (ou qualquer outra matéria).
Dessa maneira, não vivemos a era do conhecimento, mas a era da confusão. Pois o conhecimento sempre existiu, mas as coisas eram mais calmas quando as pessoas olhavam para o céu e encontravam suas respostas. Hoje, essas respostas estão por todo lugar, e tudo o que passamos a ter certeza foi sobre a nossa ignorância. O Google e toda a indústria da informação virtual nos fragilizaram naquilo que Aristóteles já presumia sobre nós, na nossa própria ignorância eterna, na nossa incapacidade de digerir tudo o que nós é dado. E no fim caímos numa armadilha, como no mito de Sísifo, que tentava em vão, e para sempre, carregar uma pedra ao alto de uma montanha, mas que sempre rolava abaixo...

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