segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Perigosa Ilusão Americana

Dimensões da Crise Econômica Atual


Quando o império romano se aproximava da sua queda à cerca de 1500 anos atrás, algumas ilusões se fortaleceram em seu seio, entre elas, o fervor religioso do qual o cristianismo se aproveitou. Na Alemanha da década de 20, o nazismo ganhou espaço em meio às promessas de um mundo melhor e de vingança para a multidão alemã que se encontrava em estado de penúria e decadência. No Brasil, o período em que mais se proliferaram as gananciosas igrejas protestantes, foi a década de 80, caracterizada por uma das piores crises econômicas enfrentadas pelo país. Hoje, os Estados Unidos enfrentam sua maior crise econômica desde 29, e assim como nos outros exemplos da história, começa a ganhar força nos EUA as igrejas pentecostais que prometem o retorno do paraíso a riqueza financeira. Essa é uma ilusão que se seguir seu rumo, ameaça consideravelmente a sociedade ocidental.


Os EUA sofrera no decorrer da crise uma onda de desemprego que levou muitos a se sustentarem na fé. Isso é um reflexo de uma ilusão coletiva que o povo americano adquiriu nos últimos dez anos. Dentre tais ilusões temos:

1. A crença de que a guerra liberta os povos, e de que os EUA podem ganhar qualquer guerra no mundo. Essa é uma forma de nacionalismo que leva muitos americanos a crerem ilusóriamente de que são os melhores do mundo (estou falando da "maioria" e não de "todos" os americanos.

2. A crença na ética capitalista como solução para a organização social.

3. A crença de que os EUA são tão grandes, que mesmo com todos os problemas o país sempre se manterá de pé.

4. A crença, talvez a pior delas, de que "Deus" sempre protegerá a América e cada um dos seus cidadãos.

Bom, vamos à realidade:

1. A dívida americana hoje é fortemente dependente da China, se amanhã de manhã por exemplo, a China decidir não comprar mais a dívida americana, o sistema financeiro americano se romperá de maneira pior que a crise de 2008.

2. O poder bélico americano se dissipa à medida que se proliferam as armas nucleares (afinal de que valem trocentos aviões se o adversário tiver dez bombas atômicas?), e hoje a autoridade americana é fortemente contestada.

3. Se outra crise atingir os EUA, o tecido social pode começar a se romper, ou seja, pode-se aumentar a violência urbana, o impulso à guerra, e os discursos religiosos dos mais honestos aos mais levianos.

Juntando esses aspectos da realidade, a economia global poderia sentir uma reação em cadeia que chegaria em todas as partes do mundo, na medida em que se refletiria no "American Way of Life", que compramos dos EUA no século passado.

A questão principal talvez já não seja se isso vai ocorrer, mas quando vai ocorrer...

imagem fonte: http://www.brunocastro.org/2008/10/crise-economica-americana.html

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